sábado, março 12, 2005

Cunha

Diz-se que "a cunha é uma instituição em Portugal". Eu diria que não é exlusivamente nossa. A frase "it's not what you know, it's who knows you", encontrada em sites americanos, reflecte bem a sua internacionalização. Toda a gente é contra as cunhas, quando favorece outros. Mas é sempre bom abrir uma excepção, quando nos favorece a nós. Claro que há sempre os resistentes, os que insistem em subir à custa do mérito, mesmo que saibam que demorarão mais tempo. Mas, mesmo para esses, num ou noutro momento, surge sempre a tentação da cunha. Quase sempre nos momentos de desespero, em que parece que o trabalho árduo nunca irá compensar, olha-se para o lado e vê-se alguém com muito menos capacidades a conseguir aquilo que eles ainda não conseguiram. Resistir é difícil. Valerá a pena enumerar todos os "méritos" num currículo sabendo que, à partida, ele nunca será lido, a não ser que chegue por "determinados canais"? Valerá a pena o esforço de um trabalho bem feito, quando uns bons jantares e uns copos aos chefes podem conseguir mais rapidamente a tão desejada promoção? Valerá a pena estudar quando um bocadinho de graxa aos professores poderá garantir uma nota melhor no exame?
É preciso resistir. E é preciso que o Estado dê o exemplo. Pouco se pode fazer para combater a cultura da cunha, quando o próprio Estado a pratica aos olhos de todos.